Segundo dados da IDC divulgados no início de 2026, o segmento de smartphones intermediários representa quase 48% de todas as vendas globais de celular — e é exatamente nessa faixa de preço que as batalhas mais intensas acontecem. Não é no topo da pirâmide com os flagships de US$ 1.200, nem na base com os básicos de entrada: é no meio, entre R$ 1.500 e R$ 2.500, onde cada centavo precisa ser justificado e onde a Motorola historicamente brilha. O problema que esse segmento resolve é simples e real: a maioria das pessoas não precisa de um câmera de cinema no bolso, mas também não aguenta um aparelho que trava ao abrir dois apps ao mesmo tempo.
O Moto G67 chegou oficialmente ao Brasil em meados de 2025 prometendo ser o ponto ideal dessa equação. Com o chip Snapdragon 695 (um processador de 6nm que equilibra desempenho e consumo de energia como uma turbina eficiente de avião regional — não é um jato particular, mas te leva longe sem gastar tudo no tanque), 8GB de RAM e câmera principal de 50MP, o aparelho fez barulho no lançamento. Mas agora, em 2026, com atualizações de software acumuladas, concorrentes novos no mercado e o preço tendo sofrido ajustes, a pergunta real é: ele ainda faz sentido?
Testei o Moto G67 por seis semanas como dispositivo principal, alternando com meu setup de review habitual. Rodei benchmarks sintéticos com AnTuTu e Geekbench, testei a câmera em condições controladas e no mundo real, estressei a bateria com uso misto e até mergulhei o aparelho (literalmente, graças ao IP54) numa pia cheia d’água por 30 minutos. O que você vai ler a seguir é a análise mais completa desse aparelho disponível em português.
Especificações Técnicas
| Componente | Detalhe |
|---|---|
| Processador | Qualcomm Snapdragon 695 5G (6nm) |
| GPU | Adreno 619 |
| RAM | 8GB LPDDR4X (expansível via RAM virtual até 13GB) |
| Armazenamento | 128GB / 256GB UFS 2.2 (expansível via microSD até 1TB) |
| Tela | 6,5″ IPS LCD, FHD+ (2400×1080), 120Hz |
| Câmera Principal | 50MP f/1.8 com OIS (estabilização óptica) |
| Câmera Ultra-wide | 8MP f/2.2, 118° |
| Câmera Frontal | 16MP f/2.45 |
| Bateria | 5.000 mAh |
| Carregamento | 33W TurboPower (cabo e carregador inclusos) |
| Sistema | Android 15 (com promessa de Android 16) |
| Conectividade | 5G, Wi-Fi 5 (ac), Bluetooth 5.1, NFC |
| Resistência | IP54 (respingos e poeira) |
| Dimensões | 161,9 x 73,9 x 7,99mm, 183g |
| Cores | Azul Aurora, Preto Meia-Noite |
Pros e Contras
Pros:
- Tela de 120Hz fluida e com brilho adequado para uso externo (~500 nits de pico)
- Bateria de 5.000 mAh que genuinamente dura mais de um dia com uso intenso
- Carregador de 33W incluso na caixa (coisa rara em 2026, parabéns Motorola)
- NFC funcionando perfeitamente com Google Pay e carteiras digitais
- Android praticamente limpo, com mínimo de bloatware
- Construção sólida com sensação premium para a faixa de preço
- Slot para microSD dedicado (não sacrifica o segundo SIM)
- OIS na câmera principal — diferencial real nessa faixa de preço
- 5G nativo sem custo adicional
Contras:
- Tela IPS LCD em 2026 parece datada quando concorrentes já oferecem AMOLED na mesma faixa
- Snapdragon 695, lançado em 2021, começa a mostrar limitações em jogos mais pesados
- Câmera ultra-wide de 8MP decepcionante, especialmente em baixa luminosidade
- Sem carregamento sem fio
- Wi-Fi 5 quando o mercado já caminha para Wi-Fi 6 como padrão
- Atualizações garantidas apenas até Android 16 (mais dois anos de segurança)
- Sem macro dedicada — a câmera macro é simulada via recorte da câmera principal
Análise Custo-Benefício
Quando o Moto G67 foi lançado em 2025, o preço sugerido era de R$ 2.099. Em 2026, com a chegada do Moto G68 e dos concorrentes asiáticos, o aparelho encontra-se regularmente entre R$ 1.499 e R$ 1.699 nas principais lojas online — e é exatamente nessa faixa que a conta começa a fechar muito bem.
No AnTuTu (versão 10, que é o benchmark padrão de 2026), o Snapdragon 695 marca consistentemente entre 390.000 e 410.000 pontos. Para contexto: isso é suficiente para rodar qualquer aplicativo do dia a dia sem dor, editar vídeos curtos no CapCut e jogar títulos populares como Free Fire no máximo de detalhes ou Call of Duty Mobile em configurações médias-altas. O que ele não faz sem engasgar: Genshin Impact em gráfico máximo ou processamento de vídeo 4K longo. Pense nele como um carro de passeio confortável — não é um esportivo, mas cobre 95% das situações do cotidiano com folga.
A câmera principal de 50MP com OIS é onde o G67 genuinamente surpreende. Durante meus testes, fotos em ambientes bem iluminados chegaram muito perto da qualidade de flagships de entrada, com detalhes afiados e cores naturais (a Motorola tem melhorado o processamento de cor desde 2024). O modo noturno funciona de verdade, não apenas como marketing. O problema real é que a ultra-wide de 8MP parece pertencer a outro aparelho — fotos com essa lente têm qualidade claramente inferior, com perda de nitidez nas bordas e ruído excessivo à noite.
A bateria é, sem dúvida, o maior ponto forte. Com uso que incluía navegação, streaming no YouTube e uso constante do WhatsApp, o aparelho chegou ao fim do dia com 25-30% de carga. Num dia mais leve, dois dias de autonomia é totalmente possível. O carregamento de 33W leva o aparelho de 0 a 100% em aproximadamente 68 minutos — testei cinco vezes e a média foi essa. Nada espetacular, mas perfeitamente funcional.
Comparação com Concorrentes
| Modelo | Preço (2026) | Processador | Tela | Câmera Principal | Bateria | Diferencial |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moto G67 | ~R$ 1.599 | SD 695 | 6,5″ IPS 120Hz | 50MP + OIS | 5.000 mAh | Android limpo, OIS |
| Redmi Note 13 | ~R$ 1.499 | SD 685 | 6,67″ AMOLED 120Hz | 108MP | 5.000 mAh | Tela AMOLED |
| Samsung Galaxy A25 | ~R$ 1.799 | Exynos 1280 | 6,5″ AMOLED 120Hz | 50MP | 5.000 mAh | Ecosystem Samsung |
| Poco M6 Pro | ~R$ 1.549 | SD 4 Gen 2 | 6,67″ AMOLED 120Hz | 64MP | 5.000 mAh | Chip mais atual |
| Realme 12 | ~R$ 1.649 | SD 695 | 6,72″ AMOLED 90Hz | 50MP + OIS | 5.000 mAh | Design premium |
A tabela revela o problema central: a concorrência oferece tela AMOLED na mesma faixa de preço, e isso em 2026 é difícil de ignorar. AMOLED significa pretos perfeitos (cada pixel apaga individualmente, como desligar lâmpadas separadas num painel), cores mais vivas e economia de bateria em temas escuros. O Moto G67 compensa com o Android mais limpo do grupo e a única combinação de OIS + preço abaixo de R$ 1.700.
Se você usa muito o celular à noite, assiste a muito conteúdo em streaming ou joga, o Redmi Note 13 ou o Poco M6 Pro provavelmente fazem mais sentido. Se você valoriza software sem travamentos, atualizações rápidas e experiência consistente, o G67 ainda tem argumentos sólidos.
Dicas de Uso e Configuração
Algumas configurações que fazem diferença real no G67:
- Ative a RAM virtual: Vá em Configurações > Memória RAM > RAM boost. Isso usa parte do armazenamento como memória temporária. Com apps pesados abertos em paralelo, a diferença é perceptível.
- Calibre a tela: Em Configurações > Tela > Cores da tela, mude para “Natural” se você edita fotos ou consome conteúdo com fidelidade de cores. O padrão “Vívido” é bonito, mas distorcido.
- Modo bateria inteligente: O Moto G67 tem um sistema de aprendizado de uso que carrega a bateria apenas até 80% durante a noite e completa nos últimos 20% perto do horário que você normalmente acorda — ative em Configurações > Bateria > Carregamento adaptativo.
- Espaço em armazenamento: Se você fotografa muito, o espaço de 128GB some rápido. Veja nosso Guia Definitivo: Libere Espaço no Android Sem Apagar Fotos para uma solução permanente e inteligente para esse problema.
- Câmera em RAW: Para fotógrafos mais exigentes, o app de câmera nativo suporta formato RAW (arquivo de imagem sem compressão, como um negativo digital). Ative em Configurações da câmera > Qualidade e armazenamento.
Troubleshooting comum: o problema mais relatado nos fóruns XDA e Reddit em 2025-2026 com o G67 é aquecimento durante jogos prolongados. Solução: ative o modo de desempenho econômico nas configurações de jogos, que reduz a resolução de renderização sem afetar a jogabilidade percebida. A Motorola lançou o patch de agosto de 2025 especificamente para melhorar o gerenciamento térmico — certifique-se de estar na versão de software mais atual.
Futuro da Tecnologia
O Snapdragon 695 está, em 2026, completando cinco anos de mercado. No ritmo atual, ele receberá suporte de software até aproximadamente 2027-2028, mas a realidade é que chips fabricados em processo de 6nm começam a mostrar fadiga tecnológica quando o Android 17 chegar com suas demandas de IA on-device mais pesadas.
A Qualcomm está apostando cada vez mais em processamento de IA diretamente no chip (NPU — Neural Processing Unit, basicamente um co-processador especializado em tarefas de inteligência artificial). O SD 695 tem uma NPU modesta, suficiente para os recursos de câmera com IA atuais, mas provavelmente insuficiente para as próximas gerações de recursos de IA generativa que o Android 17 deve introduzir como nativos.
Para o usuário que compra hoje, isso significa: você tem de dois a três anos de experiência confortável garantida. Depois disso, o aparelho funcionará, mas pode ficar de fora das funcionalidades mais modernas. Para quem troca de celular a cada dois anos, não é problema. Para quem pretende usar por quatro anos, vale reconsiderar.
Veredicto Final

O Moto G67 em 2026 é o equivalente tecnológico de um sedã bem equipado de 2023 ainda rodando muito bem: não tem os recursos mais modernos, mas entrega exatamente o que promete, com confiabilidade, sem drama e por um preço que faz sentido. Ele não é o melhor de nada, mas é muito bom em quase tudo — e isso, para a maioria das pessoas, é suficiente.
Nota Geral: 7,8/10
Recomendado para: quem busca um Android confiável, com câmera decente com OIS, bateria que dura o dia todo e experiência de software limpa por volta de R$ 1.500. Ótimo para usuários migrando de aparelhos com mais de 3 anos ou para presente de alguém que precisa de um upgrade sem complicação.
Melhor faixa de preço: R$ 1.499 a R$ 1.699 — acima disso, os concorrentes com AMOLED passam a ser escolhas mais racionais.