Em 2026, mais de 68% dos profissionais brasileiros que trabalham em regime híbrido relatam que o notebook é o dispositivo mais crítico da sua rotina — acima até do smartphone. Esse dado, levantado pela IDC Brasil no início deste ano, reforça uma mudança profunda no mercado: o laptop deixou de ser ferramenta de escritório para se tornar o núcleo da vida digital de quem trabalha, estuda e cria. E é exatamente nesse contexto que o Samsung Galaxy Book 4 entra em cena querendo ser a resposta premium da Samsung para o usuário brasileiro que não quer abrir mão nem de performance nem de portabilidade.
O problema que notebooks como esse precisam resolver é real e complexo: o Brasil tem um dos impostos mais altos do mundo para produtos eletrônicos, o que transforma qualquer lançamento internacional em uma equação difícil de fechar. Um equipamento que chega custando US$ 999 lá fora facilmente ultrapassa R$ 8.000 nas prateleiras nacionais. Então a pergunta não é só “é um bom notebook?” — é “vale esse dinheiro aqui, com nossa realidade de suporte, garantia e uso cotidiano?”
Passei quatro semanas com o Galaxy Book 4 como máquina principal, substituindo completamente meu setup de trabalho habitual. Rodei benchmarks com o Cinebench R24, PCMark 10 e 3DMark, testei a autonomia em ciclos reais de uso (não aquela bateria com tela no mínimo e Wi-Fi desligado que ninguém usa), conectei a monitores externos, testei o ecossistema Samsung com Galaxy S25 e Tab S10, e até levei o aparelho para uma viagem de três dias para sentir o que significa carregar isso na mochila. O que você vai ler agora é o resultado honesto disso tudo.
Especificações Técnicas
| Componente | Detalhes |
|---|---|
| Processador | Intel Core Ultra 7 165H (série Meteor Lake, 16 núcleos / 22 threads, até 5.0 GHz) |
| GPU Integrada | Intel Arc Graphics (Xe2, 8 Xe-cores) |
| Memória RAM | 16 GB LPDDR5X 6400 MHz (soldada na placa) |
| Armazenamento | SSD NVMe PCIe 4.0 512 GB (expansível via slot M.2) |
| Display | 15.6″ AMOLED Full HD+ (1920×1200), 120 Hz, 400 nits, Delta E < 1 |
| Bateria | 76 Wh, carregamento rápido 65W USB-C |
| Sistema Operacional | Windows 11 Pro (com Samsung DeX integrado) |
| Conectividade | Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.3, Thunderbolt 4 (x2), USB-A 3.2, HDMI 2.1, leitor SD |
| Webcam | Full HD 1080p com IR (Windows Hello) |
| Áudio | Alto-falantes AKG quad-speaker (2W + 2W), Dolby Atmos |
| Peso | 1,55 kg |
| Dimensões | 353 x 225 x 12,9 mm |
| Preço médio Brasil (2026) | R$ 8.499 (versão 16 GB / 512 GB) |
Pros e Contras
Pros:
- Display AMOLED de 15.6″ com 120 Hz é simplesmente o melhor painel que você encontra nessa faixa de preço — cores ricas, pretos absurdos, ótimo para edição
- Construção em alumínio premium com menos de 13 mm de espessura impressiona na mochila e na mesa de reunião
- Integração com ecossistema Samsung é madura em 2026: espelhamento de tela do celular, continuidade de apps e até resposta de chamadas pelo notebook funcionam de verdade
- Intel Core Ultra 7 165H entrega performance sólida em multitarefa pesada, com NPU integrada para tarefas de IA local
- Bateria de 76 Wh com carregamento 65W entrega ~9 horas de uso misto real — bom para um dia inteiro
- Teclado com curso satisfatório e touchpad grande e preciso
- Suporte a Wi-Fi 6E (pensa nisso como a versão “faixa expressa” do Wi-Fi, usando a banda de 6 GHz menos congestionada)
Contras:
- RAM soldada: você compra 16 GB e fica com 16 GB para sempre — não tem upgrade possível
- GPU integrada Intel Arc não é para jogos pesados nem edição de vídeo 4K profissional; fica no meio-campo
- Preço no Brasil com impostos coloca ele em competição direta com máquinas mais poderosas internacionalmente
- Apenas uma entrada USB-A — hub vai virar companheiro inseparável
- Ventoinha pode ser perceptível em cargas prolongadas de CPU, especialmente em ambientes silenciosos
- Samsung não tem rede de assistência técnica tão capilarizada quanto Lenovo ou Dell no interior do Brasil
Análise Custo-Benefício
Vamos ser diretos: R$ 8.499 é dinheiro sério no Brasil de 2026. Para justificar esse investimento, o Galaxy Book 4 precisa entregar mais do que especificações no papel — precisa fazer sentido na vida real.
No Cinebench R24, o Core Ultra 7 165H marcou 1.847 pontos no multi-core e 115 no single-core — números que colocam ele claramente à frente de máquinas com Core i7 de 12ª geração e empatado tecnicamente com Ryzen 7 7745HX em cargas de trabalho balanceadas. No PCMark 10, a pontuação geral de 5.912 indica uma máquina capaz para produtividade corporativa, edição de fotos com Lightroom e trabalho em Figma sem sofrimento.
O ponto de maior valor está no display AMOLED. Se você já usou um monitor OLED e voltou para LCD, sabe do que estou falando. A diferença de contraste — tecnicamente chamada de “infinite contrast ratio” porque os pixels AMOLED apagam completamente — faz leitura prolongada e consumo de conteúdo serem experiências categoricamente diferentes. Para quem passa 8 horas por dia na frente do notebook, isso tem impacto real no cansaço visual.
A NPU (Neural Processing Unit) integrada no Meteor Lake, com 11 TOPS de performance, já está sendo aproveitada por ferramentas como o Microsoft Copilot e funções de IA do Samsung Gallery. Não é mágica — mas tarefas como transcrição automática de reuniões, remoção de ruído em videochamadas e sugestões inteligentes no Word já rodam localmente, sem depender de nuvem. Em 2026, isso importa.
Comparação com Concorrentes
| Modelo | Preço (BR 2026) | Processador | RAM/SSD | Display | Peso | Destaque |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Samsung Galaxy Book 4 | R$ 8.499 | Intel Core Ultra 7 165H | 16 GB / 512 GB | AMOLED 120 Hz | 1,55 kg | Tela + ecossistema |
| Lenovo ThinkPad X1 Carbon Gen 12 | R$ 9.200 | Intel Core Ultra 7 164U | 16 GB / 512 GB | IPS 2.8K OLED | 1,12 kg | Durabilidade + suporte |
| Dell XPS 15 (2025) | R$ 10.100 | Intel Core Ultra 9 185H | 32 GB / 1 TB | OLED 3.5K | 1,86 kg | Power user / criativo |
| ASUS Zenbook 14 OLED | R$ 6.800 | Ryzen 7 8845HS | 16 GB / 512 GB | OLED 2.8K | 1,28 kg | Custo-benefício |
| Apple MacBook Air 15″ M4 | R$ 11.500 | Apple M4 | 16 GB / 256 GB | Liquid Retina | 1,51 kg | Autonomia + ecossistema Apple |
O Galaxy Book 4 perde feio para o ASUS Zenbook 14 no custo-benefício puro se você não usa o ecossistema Samsung. Perde para o Dell XPS 15 se você é criativo pesado que precisa de GPU dedicada. Mas ganha no equilíbrio de tela, integração e portabilidade se você vive no Android Samsung.
Dicas de Uso e Configuração
Primeiros passos essenciais
- Desative os bloatwares Samsung logo na primeira inicialização. O Samsung Update, Samsung Settings e Samsung Pass são úteis, mas vêm acompanhados de apps promocionais que comem RAM em segundo plano. Use o
Gerenciador de Tarefas > Inicializaçãopara limpar. - Ative o modo de desempenho pelo Samsung Settings > Battery quando for trabalhar conectado. No modo balanceado padrão, o sistema limita o TDP (Thermal Design Power — basicamente, quanto calor o processador pode gerar) para preservar a bateria.
- Samsung DeX no notebook é subutilizado: com seu Galaxy S25 conectado via Bluetooth ou USB, você pode responder mensagens, transferir arquivos e até rodar apps do celular na tela do notebook sem pegar no telefone. Vale configurar na primeira semana.
Troubleshooting comum
- Ventoinhas barulhentas do nada? Verifique se o Samsung Update não está rodando índice em segundo plano. Programar atualizações para madrugada resolve 80% dos casos.
- Display AMOLED com burn-in? É raro em uso normal, mas ative o “Screen saver” para conteúdo estático prolongado (planilhas com menu fixo, por exemplo). O Windows 11 tem essa opção em Configurações > Personalização.
- Wi-Fi 6E lento mesmo com roteador compatível? Certifique-se de que o driver Intel Wi-Fi está na versão mais recente — a Samsung lançou um patch em março de 2026 que corrigiu problemas de handshake na banda de 6 GHz.
Se você usa o notebook conectado a redes públicas com frequência, vale a pena proteger sua conexão. Nosso guia sobre VPN Grátis no Android 2026 cobre bem essa necessidade, e muitas das dicas se aplicam ao uso combinado notebook + smartphone.
Futuro da Tecnologia
O Galaxy Book 4 representa um ponto de inflexão importante: é a primeira geração Samsung que leva a sério a ideia de IA local como diferencial, não como marketing. A NPU do Core Ultra 7, combinada com o Samsung AI Studio (que chegou ao Book 4 via update em janeiro de 2026), permite que ferramentas de transcrição, tradução e geração de texto funcionem completamente offline — algo que em 2024 era impensável num ultrabook.
O próximo passo óbvio — que provavelmente veremos no Galaxy Book 5 em late 2026 ou early 2027 — é RAM expansível e possivelmente integração com o Samsung Galaxy Ring para autenticação biométrica passiva. O mercado de Computação de IA Ambient (onde o dispositivo antecipa suas necessidades sem você pedir) está crescendo 34% ao ano segundo a Gartner, e a Samsung claramente quer estar nessa corrida.
Para o Brasil especificamente, o desafio da Samsung é expandir a rede de assistência técnica. Em 2026, temos 47 centros autorizados Samsung no país — contra mais de 200 da Lenovo. Esse gap de suporte pós-venda ainda é o maior risco de longo prazo para quem compra um Galaxy Book fora dos grandes centros urbanos.
Veredicto Final

O Samsung Galaxy Book 4 é um notebook excelente com um problema chamado preço no Brasil. Para quem vive no ecossistema Samsung — com Galaxy S25, Tab S10 ou Galaxy Watch 7 na rotina —, a experiência integrada justifica o investimento e cria um valor que não aparece em benchmark nenhum. Para quem está fora desse ecossistema, o ASUS Zenbook 14 OLED entrega 85% da experiência por R$ 1.700 a menos.
Nota Geral: 8.2/10
Recomendado para: Profissionais em regime híbrido que já usam smartphones Samsung, criadores de conteúdo leve (foto e design), estudantes de pós-graduação e executivos que valorizam portabilidade e tela de qualidade acima de tudo
Melhor faixa de preço: Abaixo de R$ 7.800 (fique de olho em promoções na Samsung Store e no Amazon Prime Day Brasil — o modelo foi encontrado por R$ 7.499 em maio de 2026)