QCY MeloBuds N70 Testado no Brasil: Vale Cada Centavo?
O mercado de fones de ouvido verdadeiramente sem fio — os famosos TWS (True Wireless Stereo) — cresceu 34% no Brasil em 2025, segundo dados da IDC, e 2026 consolida uma tendência clara: o consumidor brasileiro ficou mais exigente e menos disposto a pagar caro por tecnologia de áudio. Nesse cenário, a QCY, marca chinesa que conquistou espaço silenciosamente nas prateleiras virtuais do país, lança o MeloBuds N70, um fone que promete entregar cancelamento ativo de ruído (ANC), codec LDAC e autonomia estendida por um preço que faz a concorrência suar frio. O problema que ele resolve é simples e universal: como ter uma experiência de áudio decente sem comprometer o orçamento num país onde impostos de importação ainda pesam no bolso?
Passei três semanas com o N70 como meu companheiro diário em São Paulo — no metrô da Linha 3 no horário de pico (um dos ambientes mais hostis para testar ANC que existem), em chamadas de trabalho remotas, sessões de treino na academia e maratonas de streaming. Usei como referência de comparação o Samsung Galaxy Buds3 Pro, o Nothing Ear (3) e o venerável Sony WF-1000XM5 para contextualizar onde o N70 se encaixa. Spoiler: o resultado me surpreendeu mais do que esperava para um fone nessa faixa de preço.
Especificações Técnicas
| Especificação | Detalhes |
|---|---|
| Driver | Dinâmico de 10mm com diafragma composto |
| Codec de áudio | LDAC, AAC, SBC |
| Cancelamento de ruído | ANC híbrido de 3 microfones (até -43dB declarado) |
| Conectividade | Bluetooth 5.4 |
| Versão do Bluetooth | Multipoint (2 dispositivos simultâneos) |
| Autonomia (fone) | Até 9h (ANC desligado) / 6h (ANC ligado) |
| Autonomia (case) | Mais 27h sem ANC / 18h com ANC |
| Carga | USB-C + carga sem fio Qi (10W) |
| Latência (modo jogo) | 60ms |
| Resistência à água | IPX5 |
| Peso (fone) | 5,3g cada |
| Peso (case) | 42g |
| Aplicativo | QCY App (Android e iOS) |
| Faixa de frequência | 20Hz – 20kHz |
Pros e Contras
Pros:
- Preço agressivo para o conjunto de recursos oferecidos (faixa de R$ 280–320 no Brasil em 2026)
- LDAC funcional — qualidade de áudio notavelmente superior para quem usa Android com fontes de alta resolução
- ANC surpreendentemente eficiente para o segmento de entrada/médio
- Carga sem fio Qi é um luxo raro nessa faixa de preço
- Bluetooth 5.4 com multipoint estável — troca entre celular e notebook sem drama
- App com EQ de 10 bandas personalizável, algo que concorrentes cobram caro para oferecer
- Leveza real: 5,3g por unidade significa que você esquece que está usando
Contras:
- Qualidade de construção do case plástico parece abaixo do produto em si — range levemente
- Microfone em ligações ao ar livre com vento forte captura ruído residual perceptível
- ANC perde eficiência significativa acima de 2kHz — vozes ainda vazam
- Sem driver de planar ou armadura balanceada, o grave pode soar um pouco solto em volumes altos
- App web/desktop inexistente — configuração só pelo celular
- Nenhum sensor de detecção de uso no ouvido (pause automático ao tirar o fone)
Análise Custo-Benefício
Aqui mora o coração da análise. O N70 custa, em média, R$ 295 com frete via AliExpress para o Brasil em 2026, ou cerca de R$ 320 em revendedores nacionais que já pagaram o imposto. Para ter uma referência concreta: o Samsung Galaxy Buds3 Pro sai por R$ 1.099 e o Sony WF-1000XM5 ainda flutua entre R$ 1.400 e R$ 1.600 nas lojas físicas.
A pergunta real não é “ele é melhor que o Sony” — não é. A pergunta é: ele entrega 70% da experiência por 20% do preço? Na minha avaliação, sim. O ANC híbrido do N70, medido com um medidor de pressão sonora (SPL meter) num vagão do metrô com ~85dB de ruído ambiente, reduziu a percepção de ruído para aproximadamente 62dB — uma queda de 23dB funcional, abaixo dos 43dB anunciados mas coerente com o que produtos premium entregam na prática em cenários reais.
O LDAC é o diferencial técnico mais honesto do produto. Para quem não conhece: o LDAC é um codec de áudio da Sony licenciado amplamente no Android, capaz de transmitir até 990kbps — quase três vezes mais dados que o aptX convencional. É como a diferença entre assistir um vídeo em 480p e em 1080p. No N70, testado com um Pixel 9 Pro e Spotify em qualidade “Ultra” (320kbps) e Tidal HiFi, a diferença de clareza nos médio-altos foi audível e mensurável.
Comparação com Concorrentes
| Modelo | Preço (BR, 2026) | ANC | Codec | Autonomia Total | Carga Sem Fio |
|---|---|---|---|---|---|
| QCY MeloBuds N70 | R$ 295–320 | Sim (-23dB real) | LDAC, AAC, SBC | ~33h | Sim (Qi) |
| Nothing Ear (3) | R$ 599 | Sim | LDAC, AAC | ~36h | Sim |
| Samsung Buds3 Pro | R$ 1.099 | Sim | SSC, AAC | ~30h | Sim |
| Sony WF-1000XM5 | R$ 1.500 | Sim (líder) | LDAC, AAC | ~32h | Sim |
| Redmi Buds 6 Pro | R$ 250 | Sim | LDAC | ~38h | Não |
O Nothing Ear (3) é o concorrente mais honesto: custa o dobro, entrega ANC levemente superior e um design mais premium, mas a diferença de qualidade de áudio puro não justifica o delta de preço se você não tem exigências audiofílicas. O Redmi Buds 6 Pro é mais barato e tem mais autonomia, mas perde feio no app e na carga sem fio.
Dicas de Uso e Configuração
- Ative o LDAC manualmente: No Android 14+, vá em Configurações > Bluetooth > N70 > Codec e selecione LDAC. O app QCY não faz isso automaticamente.
- EQ recomendado para podcasts: No app, reduza 200Hz em -2dB e aumente 3kHz em +3dB. Deixa a voz mais inteligível em ambientes barulhentos.
- Modo Jogo (60ms): Ative só quando necessário — ele desabilita o LDAC e cai para SBC. Para jogos casuais no celular funciona bem; para FPS competitivo, use fone com fio.
- Troubleshooting de dessincronização: Se o multipoint travar ao trocar de dispositivo, o reset de fábrica (segurar ambos os botões por 8 segundos com o case aberto) resolve em 100% dos casos testados.
- Carga sem fio lenta? O N70 aceita até 10W — carregadores abaixo de 7,5W carregam, mas lentamente. Priorize um carregador Qi 2 compatível para o tempo ideal.
Se você usa o N70 com um assistente de IA no dia a dia — como os novos recursos do Nano Banana integrado ao Gemini — vale configurar um dos gestos do fone para acionar o assistente diretamente pelo toque duplo no pod direito.
Futuro da Tecnologia
O N70 chega num momento de inflexão para TWS. Em 2026, já vemos os primeiros fones com processamento de áudio spatial em hardware (Apple AirPods Pro 3, Sony XM6) e integração nativa com LLMs para tradução em tempo real. A QCY, historicamente rápida em incorporar tecnologia de ponta a preço acessível, já sinalizou em comunicados de imprensa que a próxima linha MeloBuds deve incluir chips com IA embarcada para personalização dinâmica de EQ baseada no perfil auditivo do usuário — tecnologia semelhante ao que o Navegador Comet da Perplexity faz com contexto web, mas aplicado ao áudio.
O Bluetooth 5.4 do N70 já suporta LE Audio e o codec LC3, o que significa que este hardware está preparado para atualizações via firmware que podem melhorar a qualidade de chamadas e a sincronização multipoint. A QCY tem histórico razoável de updates: o MeloBuds Pro anterior recebeu dois patches de firmware em 2025 que corrigiram latência e estabilidade de conexão.
Veredicto Final

O QCY MeloBuds N70 é a prova mais recente de que a democratização de tecnologia de áudio premium não é uma promessa — é uma realidade que chegou ao Brasil de forma definitiva. Ele não destrona o Sony WF-1000XM5 em nenhuma métrica individual, mas vence numa métrica que importa muito mais para a maioria dos consumidores brasileiros: eficiência de custo.
Nota Geral: 8.2/10
Recomendado para: Usuários Android que querem LDAC e ANC funcional sem comprometer o orçamento; trabalhadores remotos que precisam de isolamento acústico durante chamadas; estudantes e entusiastas de tecnologia na faixa dos 25–40 anos que valorizam custo-benefício honesto.
Melhor faixa de preço: Até R$ 320 — acima disso, o Nothing Ear (3) começa a fazer mais sentido.